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Técnicas de Estodp

* Clique AQUI e assista a um vídeo do Curso Ênfase recém-gravado comigo, Isabela Ferrari (Juíza Federal - 1ª colocada), Pedro Felipe (Juiz Federal - 1º colocado), Erik Navarro (Juiz Federal) e Érico Teixeira (Juiz Federal - 1º Colocado), com dicas de todas as fases de provas de concursos. 

 

Estudar pra concurso é como se preparar pra uma olimpíada: tem que ter disciplina. E isso deve partir de você. O fator tempo é também relevante, afinal não dá pra saber todo o conteúdo do edital da noite para o dia. Justamente por isso, aqueles que, desde a faculdade (e até antes disso), já se dedicavam aos estudos, provavelmente terão uma maior facilidade para organizar seus estudos. Se o seu histórico nunca foi nessa linha, é a hora de refletir e mergulhar em uma rotina bastante disciplinada, com muitas renúncias.

Atualmente, as provas de concurso cobram muito o que se costuma chamar de “lei seca” (ou “letra de lei”, a literalidade dos dispositivos legais), bem como a jurisprudência dos tribunais superiores STF/STJ (súmulas e julgados recentes), principalmente (mais não exclusivamente) os concursos organizados pelo CESPE/UNB. Por conta disso, é muito importante ler os informativos do STJ e do STF (adiante, vou dar uma dica de como fazer isso). Com base na experiência própria, e na de muitos conhecidos hoje empossados, elaborei uma pequena "cartilha", que poderá servir como guia. Adianto, desde já, que não existe receita de bolo infalível: cada um sabe seu ritmo e seu estilo. As dicas que seguem abaixo são apenas sugestões:

 

  1. A primeira grande recomendação que faço é a seguinte: inicie se matriculando em um curso preparatório de aulas on-line. Hoje em dia, são muitas opções de cursos, com boa qualidade. Isso lhe ajudará a manter o ritmo, sem desacelerar os estudos. Prefira sempre os cursos on-line, pois o rendimento é maior sem a constante interrupção da aula. Por outro lado, se você estiver trabalhando ou com pouco tempo disponível durante os dias, pense bem antes de tomar essa decisão, pois de nada adianta assistir a horas de aula e não poder estudar em casa. A necessidade ou não de um curso preparatório varia muito de pessoa para pessoa: há aqueles que conseguem estudar sozinhos, sem nenhum curso de base; outros possuem muita dificuldade em estudar sem um curso para imprimir disciplina.
     

  2. Todo início de mês, imprima um calendário de referência do mês todo (faça uma tabela no Word ou Excel), com um espaço para cada dia, onde você escreverá exatamente o que estudará em cada dia. Ex.: no dia 01/01, estudar Constitucional e Administrativo; no dia 02/02, estudar Civil e Processo Civil etc. Assim, é possível se programar de maneira organizada, sem nenhum problema. Mas veja: não exagere nas projeções. Seja fiel ao seu ritmo. Não adianta de nada se programar todo para um cronograma que você não conseguirá cumprir. É comum que circunstâncias imprevisíveis acabem atrapalhando a sua programação em determinados momentos. Isso é perfeitamente normal. Se acontecer, basta reprogramar aquela semana (ou o mês), para contornar o atraso. 
     

  3. Inclua, na sua programação de estudo, além dos livros indicados, dias específicos para você estudar a literalidade (ex.: Lei de Improbidade, Lei da ADI, Lei da ADPF, Estatuto dos Servidores da União, Lei de Licitações etc.) e a Constituição. Tente ler a Constituição toda 5 (cinco) vezes por semestre (a Constituição deve estar na ponta da língua). É uma meta. Além disso, leia bem os códigos principais, como CPC, CC, CP, CPP etc. Infelizmente, neste ponto, convém decorar os dispositivos, tendo em mente, é claro, que alguns muito específicos costumam não ser cobrados com frequência.
     

  4. Inclua também, na sua programação, o estudo de informativos. Praticamente toda semana, são publicados informativos do STF e do STJ (constam no site, na parte de publicações). São resumos dos julgados. Quando iniciei o estudo para concursos, segui o seguinte método: fiz uma dupla com um amigo, da seguinte forma: cada um ficava responsável por uma semana, de maneira alternada. Numa semana, uma pessoa lia os informativos no computador e resumia eles em poucas linhas, eliminando os julgados que são inconclusivos (alguns julgados do STF não chegam a lugar algum, em razão de pedidos de vista, por exemplo). Na outra semana, o outro fazia o mesmo, de modo a criar um banco de fácil acesso às "normas gerais dos casos concretos". Fiz isso também sozinho, durante um tempo. Atualmente, as opções são bem maiores, de modo que o método citado é apenas uma opção. Há diversos sites e livros que publicam informativos, o que pode te ajudar bastante. O importante é estar sempre atualizado com os últimos informativos e com os informativos de um ano e meio para trás. Particularmente, eu prefiro ainda ler diretamente os informativos no site dos tribunais superiores. Para saber os informativos passados, recomendo a leitura dos informativos por temas no STJ, que os agrega de forma bastante organizada. Saiba que você terá o trabalho de reler os informativos com frequência, de modo que é muito importante saber eliminar o que não interessa. Há diversos sites especializados em informativos resumidos. Você pode seguir algum deles, a exemplo do Dizer o Direito.
     

  5. Faça muitas questões de concurso. No site do CESPE tem como baixar as provas de concursos anteriores. No site do MPF e dos tribunais, é comum poder baixar as provas anteriores, o que deve ser feito, como uma ferramenta bastante eficiente. Reserve seu final de semana pra isso. Quando fiz a primeira fase dos concursos para Juiz de Direito (TJ-BA) e Defensor Público Federal (DPU), havia treinado muitas provas anteriores e, certamente por isso, tive a felicidade de alcançar a primeira colocação. No concurso para Procurador da República (MPF), por outro lado, fiz a primeira fase sem nunca ter lido anteriormente uma prova do MPF. A dificuldade, na primeira fase, foi bem maior.
     

  6. Reserve um horário certo para estudar, de acordo com sua disponibilidade. Procure manter o ritmo diário. Um estudo de, pelo menos, 6 (seis) horas por dia é ideal. Aqueles que podem fazer mais do que isso devem atentar aos exageros. Não adianta nada estudar até a madrugada, o que fatalmente comprometerá seu estudo no dia seguinte (eu particularmente nunca estudei de madrugada). É claro que isso é bastante relativo. Quando iniciei meus estudos, dedicava todo meu dia (estudava às vezes 12 ou 13 horas). Depois de empossado no primeiro concurso, o tempo para estudo reduziu bastante, restando cerca de 4 a 5h por dia para me dedicar. Foi o suficiente para me capacitar para provas mais complexas.
     

  7. Faça exercícios físicos regularmente. É bom pra não se estressar, além de ajudar a memória. Pense que sua jornada concursal pode durar alguns anos, de modo que você não pode renunciar coisas essenciais.
     

  8. Nunca pule de edital em edital sem critério. Tenha foco. É muito importante fazer um estudo base, que é comum pra qualquer concurso. Todo concurso cobra constitucional, administrativo, civil e processo civil e você precisa estar muito bem preparado nessas matérias. Não é preciso escolher de imediato um cargo e ficar inflexível. O importante é escolher uma área, ter um norte. Se aparecer algo diferente no caminho, faça a prova, mas não desvie seu foco. Quem se identifica com os concursos da área trabalhista (Técnico, Analista, Juiz do Trabalho ou Procurador do Trabalho), por exemplo, não deve desviar seu foco para estudar para o Ministério Público Estadual, pois as matérias são muito diferentes. Acho possível conciliar AGU, PGE, DPU, TRF, TJ e MP (conciliar concursos estaduais e federais), mas tenha cautela. Misturar o estudo do TRT com MPF, por outro lado, é uma insanidade, por envolverem dois campos bem específicos.
     

  9. "Durante minha preparação para provas de concursos públicos, devo destinar meu tempo para fazer cadernos ou é melhor dedicar meu tempo mais para a leitura de livros?". Recentemente, recebi um e-mail de um aluno com um questionamento muito importante que gostaria de compartilhar com vocês todos. Cuida-se de uma pergunta que recebe com bastante frequência e que gera muita dúvida nas pessoas que se preparam para provas de concursos públicos. Vejamos:

    “Boa tarde minha dúvida vai para o professor Joao Lordelo. Você diz que o concurseiro deve ter um bom caderno para ter como parâmetro de estudo, porém venho fazendo um caderno bem completo do curso, muitas vezes até transcrevendo alguns dizeres dos professores, já que me formei a pouco tempo e ainda tenho uma base muito superficial das matérias . Porém, muitos dias acabo perdendo todo meu tempo livre fazendo o caderno, e não sobra tempo de rele-los s , assim queria saber se esse primeiro ano de estudo realmente devo gastar tempo fazendo um bom caderno, ou devo pegar os tópicos das aulas e assisti-las mais rápido e estudar na doutrina pra aprofundar mais o meu conhecimento?”

    Em síntese, a pergunta do aluno é: durante minha preparação para provas de concursos públicos, devo destinar meu tempo para fazer cadernos ou é melhor dedicar meu tempo mais para a leitura de livros? Essa é uma excelente pergunta – e eu estaria sendo desonesto se dissesse que há apenas uma resposta. Quando converso com colegas que passaram comigo nos concursos que fiz, em todas as “turmas” de estudo que vivenciei (Procuradoria do Estado, Defensoria Pública, Magistratura Estadual e Ministério Público Federal), foi possível constatar que cada pessoa possuía sua maneira peculiar de estudar. É dizer: não existe nenhum modelo preciso e efetivo para estudar, a não ser o óbvio (estudar doutrina, informativos, lei e fazer questões). Os autores recomendados são de conhecimento geral. O que deve ser estudado é de conhecimento geral. A dúvida é: como estudar? Devo fazer resumos? Devo fazer um curso preparatório? E a resposta é: só você pode efetivamente chegar a uma conclusão.

    Apenas para ilustrar, recentemente eu estava conversando com um amigo do Ministério Público Federal, que passou no mesmo concurso que eu (27º Concurso para Procurado da República). Ele passou muito bem colocado e me confessou que nunca fez um caderno de estudo, preferindo grifar os livros e ler os grifos depois. Eu então lhe disse: “eu provavelmente não passaria assim”. Para mim, é muito importante consolidar o conhecimento em um documento único (o “caderno”), de modo a sintetizar tudo que foi lido e facilitar a revisão. É assim que eu funciono. Como eu descobri? Desde muito tempo, eu faço resumos dos meus estudos. Fiz isso durante toda a faculdade e, portanto, já sabia o que funcionava para mim. Pense bem: você também deve ter uma noção do que funciona para você (afinal, também fez uma faculdade e deve se recordar do modo de estudar que se mostrava mais efetivo para elevar as notas). Quanto aos cadernos, existem duas variáveis importantes: a) o tempo que a pessoa tem livre para estudar; b) a velocidade que cada um tem para estudar e fazer resumos (alguns fazem isso tomando determinado tempo, enquanto outros demoram bem mais). Se você não tem muito tempo livre em seu dia e, além disso, demora muito para fazer resumos, pode ser algo realmente complicado. Justamente pensando nisso, toda vez que dou alguma aula, entrego aos alunos um resumo com todas as informações passadas na aula (isso evita o tempo para montar o seu caderno). Recorde-se, porém, que o caderno não é só uma forma eficiente de registrar e revisar, mas também de construir o conhecimento. Para muitas pessoas (e eu me incluo), a melhor maneira de estudar é escrevendo/digitando. É uma boa forma de memorizar o conhecimento: ver a aula, fazer as leituras, registrar tudo no caderno e depois ler a “obra pronta”. Esse foi o modelo ideal para mim.

Boa sorte!